Alexsom

Alexsom

GLASTONBURY 2017

CALENDAR JAZZ

MONTREUX ACADEMY 2017

Colour Me Free! - Joss Stone

Amy Winehouse Foundation

PLAYING FOR CHANGE

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

‘Amargo fruto’ evita a pretensão de clonar Billie Holiday Musical que estreia nesta quinta, com Lilian Valeska no papel principal, ousa ao mudar arranjos

 por


Lilian Valeska como Billie Holiday em ‘Amargo fruto’
Foto: Andrea Rocha / Divulgação
Lilian Valeska como Billie Holiday em ‘Amargo fruto’ - Andrea Rocha / Divulgação

RIO — “Quando Ella canta ‘My man’, o homem vai até a esquina e volta. Quando eu canto, o homem vai embora para sempre”. A frase atribuída a Billie Holiday sobre Ella Fitzgerald é uma das que Lilian Valeska diz em “Amargo fruto”, musical que estreia hoje no Teatro Carlos Gomes, para uma temporada até 27 de setembro. Lilian, naturalmente, é a Billie em cena, personagem principal e razão de ser desta ousada aventura musical sobre sua história.
Uma história, como é sabido, dramática ou mesmo trágica. Trata de estupro, prostituição, maus tratos, dependência de drogas e uma morte antes dos 40. Quem primeiro pensou em levá-la ao palco foi Jau Sant'Angelo. Maria Inês e Maria Vitória, à frente da produtora Vitória, interessaram-se em montá-la e convidaram Ticiana Studart para escrevê-la e dirigi-la.
— Jau fez a pesquisa e escolheu as primeiras músicas. Depois, trabalhamos a quatro mãos até chegarmos ao texto final. As músicas pontuam a ação e, na medida do possível, ajudam a contar a história — conta Ticiana.

ADVERTISEMENT
Os arranjos e a direção musical de Marcelo Alonso Neves são, de certa forma, um desafio. Preferiu manter o espírito original, mas de modo a trazer os acompanhamentos a Billie para o público não especializado de hoje.
— Ouvi muito Billie nesses meses — diz Marcelo. — Mas ouvi também outros cantores. Por exemplo, “All of me” é uma canção gravada por muitos deles. Ouvi-los me ajudou a conhecer melhor a música, já que Billie, como era de seu estilo, mudava muito a linha melódica do que cantava. Para acompanhar Lilian, optei por um trio básico do jazz. Piano (Rodrigo Marsillac), baixo (Berval Moraes) e bateria (Emile Saubole), mais sax tenor (Gabriel Gabriel).
Ticiana diz ter ouvido toda a obra de Billie Holiday, além de outras de suas cantoras favoritas: Sara Vaughan, Nina Simone, Bessie Smith. Ao elogiar os arranjos de Marcelo, confessa não gostar tanto dos acompanhamentos que Billie tinha na época, mesmo considerando que eram, sobretudo no início, alguns dos melhores músicos de jazz de todas as épocas.
— Arranjar para um espetáculo como este requer alguns cuidados — esclarece Marcelo. — Fiz mudanças, mas sem exagerar. Por exemplo, para o final dei outro tratamento a “Summertime”. E uma canção belíssima como “Speak low”, que na gravação de Billie é servida por um ritmo de rumba que me parece datado, procurei um tratamento menos relacionado à moda da época.

Lilian Valeska, segundo todos os envolvidos na produção, é a única atriz-cantora capaz de levar ao palco uma Billie Holiday com o mesmo carisma. É bonita, canta bem, tem o apelo e outras qualidades que Billie tinha, mas faz questão de dizer que é ela mesma.
— Não tento ser um clone ou uma imitadora de Billie Holiday. No máximo, recorro a algumas inflexões, a certos timbres característicos dela. Estou há apenas 40 dias neste projeto. Quando fui convidada, no começo de julho, aceitei na hora. Não tive muito tempo para me preparar, mas li livros, vi vídeos, tentei aprender com a própria Billie, sem imitá-la. Escolhi o caminho do sentimento. Sou uma preta muito brasileira, musicalmente, de modo que tentei entrar no mundo de Billie. Ou em como Billie interpretava suas letras.
À exceção de “Strange fruit”, recitado em português antes de Lilian cantá-la, as canções são feitas no inglês original. O recitativo ajuda a explicar a letra sobre linchamento de negros no Sul dos EUA. Dela foi extraído o título do espetáculo. Lilian, que teve formação no coro da Igreja Presbiteriana da Penha, aprendeu ali o canto que tem sido ouvido em outros musicais (“Godspel”, “Império”, “Ópera do Malandro”, “Tim Maia”, “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos”). Acaba de gravar seu primeiro disco e treinou o inglês com Alma Thomas. A idade? Não diz. “Mas também não minto”.

0 comentários: