Rio -  Bate três vezes na madeira, de preferência dizendo as palavras pé-de-pato, mangalô, três vezes. Roberta Medina, filha do criador do Rock In Rio, Roberto, dispensa a superstição para afastar o mau-olhado. Mesmo com a próxima edição do festival começando em uma sexta-feira 13, daqui a exatamente um ano, em 13 de setembro de... 2013! Ela está otimista e descarta que a data seja, como dizem, o dia do azar.
Roberta Medina elogia festival de música | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Roberta Medina elogia festival de música | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
“Se na época do primeiro Rock In Rio, em 1985, quando diziam que Nostradamus previu que milhares de pessoas morreriam em um grande encontro de jovens na América do Sul, nada aconteceu, então, nenhuma superstição segura o Rock In Rio”, decreta Roberta, vice-presidente do festival.
Ela garante que sequer cogitou mudar o dia da estreia. “Ano passado, pela primeira vez, o festival aconteceu em setembro, ao contrário das edições anteriores, que sempre foram em janeiro. E este novo mês se mostrou uma escolha acertada, porque é uma época de baixa ocupação turística na cidade, e 45% do público do Rock In Rio, em 2011, foi de gente de fora da cidade, o que causou um impacto de R$ 880 milhões na economia do Estado”, gaba-se ela, cheia de números e algumas novidades para 2013 na ponta da língua.

AS NOVIDADES
A capacidade máxima de público será reduzida de 100 mil para 85 mil pessoas e a tirolesa, o Palco Sunset e a Rock Street continuam. “Só que, em vez do estilo de Nova Orleans, a próxima Rock Street vai ser inspirada na Inglaterra, Escócia e Irlanda, com shows e apresentações de artistas de rua. Vamos ter ainda o Street Dance, um espaço novo dedicado à dança onde vai ter até um concurso internacional durante o festival”, detalha. “Meu sonho, no momento, é trazer o Bruce Springsteen, que arrebentou no Rock In Rio Lisboa deste ano. Ainda não há muitas atrações confirmadas, além do show especial de Ivan Lins com George Benson, que vai abrir o Palco Sunset, e o show do Sepultura com participação do Tambores do Bronx (grupo francês de percussão), apresentado em 2011 no Sunset, que migra para o Palco Mundo”.
Músico foi sucesso em Lisboa | Foto: Divulgação
Músico foi sucesso em Lisboa | Foto: Divulgação
Para Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, a mudança para o espaço mais nobre do evento não significa exatamente que eles estão com sorte. “Nada disso, é que a resposta do público foi incrível, e agora nosso entrosamento com a galera do Tambores do Bronx está ainda maior e o show, mais bem produzido. E ainda vamos tocar na mesma noite que o Metallica”, comemora. “Por isso tudo, esse show será filmado e vamos lançá-lo em DVD”, anuncia.
Seria apropriado que essa noite de heavy metal fosse exatamente na sexta-feira 13, não é? Andreas ri: “Não sou supersticioso na música, só no futebol. Quando começa um campeonato, uso a mesma camisa do São Paulo até o fim. E costuma dar certo!”, garante o metaleiro tricolor.
BEBÊ À VISTA
Antes do início da próxima edição, porém, o Rock In Rio será assunto no teatro, em musical produzido pela produtora Aventura, do empresário Luiz Calainho, e na Marquês de Sapucaí, como enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel. Mesmo com tantos filhos do festival a caminho — além da empreitada de botar o próprio evento em pé —, Roberta Medina ainda arruma tempo para se dedicar à maternidade: ela está grávida de seis meses. “Não foi planejado, mas planejaram muito bem para mim. Ela nasce em dezembro e, até o próximo Rock In Rio, em setembro, já vai estar dançando comigo no meio do evento”, diverte-se Roberta.
Ela garante que não é supersticiosa, mas revela certo esoterismo no nome escolhido para a futura filha: Lua. “Ah, eu gosto de mapa astral. Mas isso de sexta-feira 13, para mim, é dia de sorte, e não de azar. O Rock In Rio arrepia há 28 anos e vai continuar arrepiando no ano que vem”, garante.
PALCO SUNSET
O Sunset, espaço que promove encontros exclusivos de artistas no Rock In Rio, também virá com algumas novidades na edição de 2013. “Para começar, o palco terá dimensões maiores: vai pular de 14 metros de boca de cena para 21, e a altura também salta, de 14 metros para 18”, enumera o produtor e músico Zé Ricardo, curador do Sunset.
“Além do já confirmado show de abertura, com George Benson e Ivan Lins, relembrando a parceria que fizeram no primeiro festival, quero que um dos dias seja inteiramente dedicado ao heavy metal, assim como já é tradição no Palco Mundo. Quero também destacar ainda mais novos nomes da música brasileira”.
Esses encontros dependem de vários fatores, principalmente das agendas dos artistas, que têm que ensaiar algo novo, diferente de suas apresentações habituais. “Tenho dois sonhos para o Sunset, que não sei se vou conseguir realizar. Um seria trazer o grupo SuperHeavy, que é um encontro de Mick Jagger, Dave Stewart, Joss Stone e Damian Marley. O outro é que a Roberta Medina faça um solo de bateria na abertura do festival”, revela, atestando que ela, que já teve aulas do instrumento, faria bonito.