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domingo, 22 de janeiro de 2012

Achavam que eu era brasileira, diz cantora comparada a Amy Winehouse

Cauê Muraro Do G1, em São Paulo
Rox (Foto: Divulgação) 
A cantora britânica Rox (Foto: Divulgação)
Se a expectativa em torno de um músico for medida pela sua popularidade junto à audiência diante da qual ele se apresenta, então a cantora britânica Rox pode se sentir livre de cobranças. Dos nomes escalados para o Summer Soul Festival – evento que, a partir desta terça-feira (24), passa por São Paulo, Florianópolis e Rio de Janeiro –, ela talvez seja a menos conhecida.

Afinal, o festival traz ao Brasil, além de Rox, Florence and the Machine, Bruno Mars e a garota Dionne Bromfield, famosa por ser “afilhada de Amy Winehouse”.

Agora, se essa mesma expectativa estiver condicionada às comparações - ainda que favoráveis - desse músico com estrelas que vieram antes dele, Rox tem o direito de estar um pouco preocupada. Mas ela não está. Ou, pelo menos, esforça-se para parecer que não. Em entrevista ao G1, por telefone, a cantora diz não ter problemas em ser referida como "nova Amy Winehouse", coisa que acontece com frequência, desde que seu disco de estreia, "Memoirs", o único até aqui, foi lançado, em 2010.


Quando o assunto vem à tona, durante a conversa, Rox não espera sequer a pergunta terminar. Escolada, basta-lhe ouvir numa mesma frase termos como "comparam" e "cantoras", para se adiantar e ser ela própria a primeira a citar o nome de Amy. Rox também falou sobre a presença uma música sua, "My baby left me", na trilha de uma novela brasileira, "Araguaia". Por fim, disse que muita gente pensava que ela fosse brasileira, o que a deixava "toda orgulhosa". Veja, a seguir, trechos da entrevista.
G1 – Antes de mais nada, queria saber se você está melhor, porque no post mais recente do seu blog, ainda em dezembro, você dizia que estava resfriada, e também que seu celular tinha sido roubado – pela segunda vez...
Rox –
Ah, obrigada por xeretar minha vida (risos)...
G1 – É porque, depois disso, vi em seu perfil no Facebook que você pegou outro resfriado, desta vez quando foi fazer um show em Istambul. Como está a sua saúde agora?
Rox –
Estou toda atrapalhada. Acho que é a época do ano, o tempo é tão frio, as pessoas começam a pegar doenças – eu ainda estou com um resfriado que não passa. Estou tomando xarope para tosse, é difícil, não posso falar muito, forçar a voz, mas já estou bem melhor que antes. É muito frustrante quando tudo o que você quer é cantar, mas não pode porque sua voz não permite.
G1 – E o telefone? Onde você estava quando ele foi roubado? Já comprou um novo?
Rox –
É a história mais idiota do mundo. Foi basicamente isto: eu deixei meu telefone no carro do amigo de um meu amigo meu, e o carro foi invadido... E eu tinha um iPhone novinho, e demorou muito para eu chegar a isso, meu amigo, porque sempre fui louca pelo Blackberry. E eu estava curtindo muito meu iPhone, o Instagram, todos os aplicativos maravilhosos. Eu recorri ao seguro para comprar um novo, mas voltei para o velho Blackberry...
G1 – Você sabia que sua voz ficou conhecida aqui no Brasil depois de uma música sua, “My baby left me”, ter sido incluída na trilha sonora de uma novela [“Araguaia”, exibida pela TV Globo entre setembro de 2010 e abril de 2011]? Era uma novela que se passava em uma região do Brasil onde há rios e matas. Já a sua música é normalmente associada à vida urbana. O que acha dessa combinação?
Rox –
Eu acho que é uma combinação perfeita (risos). Eu acabei de ficar sabendo [da inclusão da música na novela]. Eu me perguntava: “Por que tantas pessoas no Brasil gostam da minha música?”. Não estou reclamando, eu só não sabia por quê. Mas agora faz sentido, é por causa desse programa. Alguém tem que me mandar [uma gravação da novela], e eu vou procurar no Google hoje à noite. Talvez eles me deixem fazer uma aparição, eu estudei atuação tempos atrás...
G1 – Mas a novela já acabou.
Rox –
Ah, já acabou?
G1 – Sim, meses atrás.
Rox –
Eu pensava que fosse desses programas que passam sempre...
G1 – Voltando para a música e para o disco. Quando “Memoirs” foi lançado, muita gente listou as prováveis influências no seu trabalho. Falava-se, por exemplo, de Lauryn Hill, Portishead, Sade, Alicia Keys, Elton John e até Alanis Morrissette. Você é realmente fã de todos eles? Poderia citar outros?
Rox –
Claro. Sou uma grande amante da música... Você falou Alicia Keys? Eu nunca ouvi essa [menção] antes. Essa é nova.
G1 – Sério? Eu vi essa comparação em alguns jornais.
Rox –
(Risos) É engraçado o que as pessoas escrevem...
G1 – Mas você conhece a Alice Keys?
Rox –
Claro que sim! Conheço, gosto das coisas antigas dela. As coisas novas não são muito meu estilo. Adorei o primeiro álbum [Songs in A Minor”, de 2001]. Ultimamente, venho ouvindo muito rock’n’roll old school, como Joe Cocker. Eu tenho fases – obsessões, basicamente: fico ouvindo uma coisa sempre. Minha obsessão atual é Lana Del Rey. Adoro ela, acho incrível, é uma ótima compositora, está fazendo algo que ninguém mais está fazendo no momento.
G1 – E a Alanis? Ela não é exatamente uma compositora de soul music. Como ela lhe influenciou? Você devia ter uns cinco anos quando o disco que a tornou conhecida, “Jaggeed little pill” (1995) foi lançado.
Rox –
Sim, eu tinha. Eu adoro Alanis, adoro o fogo dentro dela, o quão passional ela é quando canta. Ela não está nem aí, escreve sobre o que importa para ela, como algo clássico ou algo que as pessoas consideram tabu. Adoro isso. E também a maneira como usa seus vocais: destemida, ela é como um instrumento. Eu amo como mulheres poderosas e fortes gravitam em torno dela. Quanto ao que você disse sobre a música dela ser diferente das outras, eu amo música como um todo, não gosto de só de soul.
G 1 – Sempre que falam de sua música, comparam você a outras cantoras contemporâneas...
Rox –
(interrompendo) Como Amy Winehouse?
G1 – Sim. Amy ou Adele. Você se incomoda com isso?
Rox –
O que eu penso disso é que você sempre será comparado a alguém, e seria uma ignorância de qualquer artista dizer que não foi influenciado por ninguém, porque todos são. Como alguém não seria, se ouvimos música todo dia, se está na sua TV, no laptop? Você vai ser influenciado, isso vai te afetar de alguma forma. Não posso dizer que Amy Winehouse foi uma das minhas maiores influências, mas ela foi uma influência – gosto de ambos os álbuns [“Frank” e “Back to Black”]. São raras as pessoas como ela que vêm ao planeta.
Ela era uma estrela em todas as maneiras, e a música dela vai durar, imagino, uns 60 ou 70 anos. As pessoas vão continuar ouvindo, porque essa música que ela criou é atemporal, não é música da moda para jovens ouvirem em boates, é uma música popular, para sua alma, para sempre. As pessoas sempre irão me comparar – melhor que seja a ela.
G1 – Você fez um cover de uma música da Rihanna, “Only girl (in the world)”. Pensa em fazer isso com alguma outra cantora?
Rox –
Eu não sei. A verdade sobre a música da Rihanna é que eu fiquei ouvindo a música e pensando que ela tem um refrão que vem do nada, que você não está esperando. Queria fazê-la muito mais sombria e mais sexy. Se eu ouvir alguma outra música que queira fazer [um cover], então farei. Não sei, teremos que esperar pela próxima e ver o que cover Rox vai fazer.
G1 – Essas misturas não devem ser estranhas a você, que deve ter crescido convivendo com uma mistura de culturas, já que sua mãe é da Jamaica e seu pai é iraniano. Na prática, como isso pode ser notado em suas músicas?
Rox –
Eu cresci com a parte jamaicana, cresci com minha mãe e meus avós. A cultura jamaicana, provavelmente, é mais óbvia que a iraniana, então [o disco “Memoirs”] tem uma faixa reggae, você pode ver o lado jamaicano ali. Além disso, todas minhas músicas são bem “gospel”: costumava ir à igreja, cresci na igreja, e acho que você pode perceber isso ao ouvir. Acho que o lado iraniano é algo que tenho explorado mais para o segundo álbum, com sons diferentes, instrumentos diferentes, é bastante divertido. A jornada ainda não terminou, está só começando.
G1 – Com “Memoir” você conquistou alguns fãs famosos, como Paul Weller, ex-músico do The Jam, e Mark Ronson, produtor de Amy Winehouse. Para um primeiro disco, não poderia ter sido melhor, não é?
Rox –
É, eu estou orgulhosa, sabe? Eu trabalho duro, levo a sério o que eu faço e curto cada momento. É adorável ter pessoas tão importantes te respeitando, claro que é, estaria mentindo se dissesse o contrário, mas eu tenho uma ambição alta, muito alta, eu sou assim. E isso é só o começo. É o primeiro álbum e estou muito orgulhosa, é ótimo, e não vejo a hora de lançar as coisas novas para as pessoas ouvirem.
G1 – No seu site, está escrito que, depois da turnê de “Memoirs”, você ficou reclusa durante um ano, para escrever novas músicas. Disse ainda que o material seria “mais próximo do meu coração”. O que isso significa?
Rox –
A música que eu estava fazendo é bem diferente. Quando eu fiz “Memoirs”, estava num estágio diferente da minha vida, em que tudo era novo. Eu estava coescrevendo com várias pessoas diferentes, minha vida era bem diferente. Não estou triste, estou bem feliz com o que se tornou, mas não mostrou completamente o que eu sou capaz de fazer como compositora quando me dedico.
E esse material [novo], bem, é isto que quero dizer com estar mais próximo do meu coração: representa melhor quem sou como artista, é isso que quis dizer. Tenho orgulho de “Memoirs”, me trouxe tantas oportunidades. Se não fosse por esse álbum, eu não estaria aí. Sou agradecida por todas essas oportunidades, mas tenho muito mais a oferecer e não vejo a hora.
G1 – Como você descreveria as novas músicas?
Rox –
Acho que “Memoirs” foi um bom álbum, tinha boas músicas, mas acho que era um tanto quanto seguro [no sentido de correr poucos riscos], e eu não sou assim: gosto de correr riscos. Quer dizer, eu tenho um pouco disso, eu estou com 23 anos, eu adoro festas, sair, mas tem muito mais a ser explorado, que é o que estou fazendo com este novo álbum. Então, você terá que esperar e ouvi-lo.
G1 – Vai tocar algo dele nos shows do Brasil?
Rox –
Sim, sim. Vai ser predominantemente material antigo, pois nunca toquei no Brasil, então preciso fazer isso para as pessoas. Mas, definitivamente, irei tocar algumas coisas novas, é bom experimentar, ver o que as pessoas acham, se elas gostam ou não. Não vou simplesmente pensar “claro que gostarão”. Vai ser um dos maiores públicos para o qual eu já me apresentei. Já fiz festivais antes, com talvez umas cinco ou seis mil pessoas. Estou empolgada, mal posso esperar, vai ser incrível.
G1 – Está ansiosa para ver o show de algum artista brasileiro?
Rox –
Eu sei que o Seu Jorge estará tocando. Meu pai costumava pôr suas músicas [de Seu Jorge], vai ser ótimo vê-lo tocar ao vivo. É quem me vem à mente agora. Pessoas como João Gilberto, Gilberto Gil, todas elas que eu costumava ouvir... Eu era obcecada por essas músicas, me sentia era brasileira. Lembro de algumas músicas que eu tocava e as pessoas chegavam para mim e perguntavam: “Ah, você é do Brasil?”. Ou comentavam: “Você parece brasileira” – e eu ficava toda orgulhosa.
Fonte:G1

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