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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os Melhores Livros de 2011

 by Renato on 28 de dezembro de 2011 in Deve Ler, Top 5
A lista de Melhores Livros de 2011 do Miolão é um pouco mais abrangente que as outras: nesse caso, ignoramos o ano em que as obras selecionadas foram publicadas e nos permitimos considerar todas aquelas que lemos nos últimos meses como concorrentes.
A seguir, mostramos quais narrativas literárias nos surpreenderam, acompanharam e foram boas companhias em certas fases do ano. Se essa votação não teve critérios rígidos quando às características dos livros, os títulos escolhidos passaram os méritos que os tornam ótimas obras e criaram ligações pessoais com todos nós – como a literatura relevante sempre faz. E por isso merecem figurar aqui.
Veja o que selecionamos.
05º  – A Solidão dos Números Primos, Paolo Giordano
O livro de estréia do italiano Paolo Giordano é uma reflexão incisiva e cortante sobre a transição à vida adulta. Apresentando dois jovens distintos, Alice e Mattia, o escritor disserta sobre os aspectos mais sombrios de crescer, de personalidades em construção e sobre o impacto da solidão e do não entendimento na vida das pessoas.
Giordano conduz a história da dupla sem esconder seus aspectos mais desagradáveis e faz com que nós próprios nos enxerguemos nesses dois “números primos”, que, segundo a definição dada pelo autor, são sempre “impedidos de se tocar graças a um número par entre eles”. “A Solidão dos Números Primos” é um consolo à estranheza que existe em nós: que por vezes não é bizarrice alguma, mas apenas a necessidade de expurgar sentimentos inconfessáveis e encontrar compreensão.
04º – Memória de Elefante, Caeto
Nessa HQ autobiográfica, o desenhista e escritor Caeto surge como o amigo azarão, aquele figura que você provavelmente deve conhecer: toma atitudes improváveis e se ferra com freqüência, mas você não consegue não torcer por ele – mesmo nos momentos em que o rapaz persiste em alguns erros.
Sem firulas – e sem soar simplista – ele conta sua trajetória pelas ruas de São Paulo, tentando levar a vida independente de seus pais e sendo reconhecido por sua arte, abordando ainda peregrinação por situações diversas junto a personagens pitorescos, o relacionamento com a família e os assuntos mal resolvidos que possui com seu pai.
Com traços simples, mas eficazes, Caeto conduz uma narrativa que cresce de forma despretensiosa e quando você vê, te pega com uma emoção tão honesta que você termina a leitura com os olhos mareados, e um sorriso estampado no rosto.
03º – A Trilogia de Nova Iorque, Paul Auster
A “cidade que nunca dorme” é o pano de fundo das histórias que compõem a “A Trilogia de Nova Iorque”, lançada por Paul Auster em 1987. Em tramas distintas, o autor conduz personagens dúbios, de índoles duvidosas e personalidades imprevisíveis por situações que os testam repetidamente. Assim como elas põem os protagonistas à prova, a narrativa de Auster brinca com a mente de seu leitor, envolvendo por seu crescente clima de intriga e surpresa.
Os segmentos “Cidade de Vidro”, “Fantasmas” e “O Quarto Fechado” unem ação policial a questionamentos que superam com elegância as reviravoltas de muitos thrillers de mistério e tornam difícil a tarefa de “dar uma pausa” na leitura. O autor norte-americano lançou, mais de duas décadas atrás, um livro que serve de modelo para aqueles quem pretendem criar – ou apenas ler – uma narrativa que flui de forma impecável, revelando-se aos poucos, para soar impecável em sua última página. Coisa de quem sabe.
02º  – As Crônicas de Gelo e Fogo: A Tormenta de Espadas, George R. R. Martin
Acredito que As Crônicas de Gelo e Fogo dispensam apresentações. Se a séries de livros escrita por George R. R. Martin ainda não era conhecida mundialmente, a emissora de TV HBO foi lá e deu conta do recado, ao produzir a já considerada épica série Game Of Thrones, baseada na obra de Martin. E é fugindo do “lugar comum” da discussão sobre Martin ser ou não o novo Tolkien, ou até mesmo superior a ele, que vamos falar um pouco sobre “A Tormenta de Espadas”, terceiro volume da série, lançado em setembro deste ano.
No primeiro livro, “A Guerra dos Tronos”, somos apresentados ao continente de Westeros, os sete reinos que se tornaram um só, as grandes casas, a disputa silenciosa e traiçoeira pelo trono, a narrativa que segue o ponto de vista de todos os personagens principais, mudando de um para o outro a cada capítulo. Conhecemos um universo rico em cultura, preocupado com detalhes, personagens sedutores cada um ao seu modo, e o que me atraiu acima de tudo: uma trama SEN-SA-CI-O-NAL. E então veio o segundo volume, “A Fúria dos Reis”, em que o autor fez questão apenas de deixar claro que, desde o início, ele sempre soube o que estava fazendo e para onde a história iria caminhar.
Em “A Tormenta de Espadas”, acredito que a pergunta da maioria dos leitores era: “será que dá para manter o nível de qualidade?” Confesso que imagino o velhinho tio Martin dando risada ao ler isso por aí, por que sim, meus amigos, dá para manter. Na verdade, ele não só manteve. Ele esfregou na nossa cara um livro, no mínimo, três vezes melhor que os dois anteriores. E fica difícil explicar os motivos sem contar nadinha pra quem ainda não chegou lá, mas posso dizer que é em Tormenta que, verdadeiramente, temos a noção exata da grandiosidade dessa obra. É coisa de se preparar para choques a todo momento, viradas incríveis de determinados personagens que amadurecem brutalmente na sua frente, uma verdadeira aula de como produzir fantasia de selvagem forma selvagem, pura, bela, uma aula de como escrever algo que já é considerado por muitos (eu inclusa), um clássico.    
01º  – Um Dia, David Nicholls
Embora possa parecer apenas um romance trivial no primeiro momento, não se engane: “Um Dia”, de David Nicholls é muito mais do que isso.
Trazendo no centro da trama uma dupla de protagonistas apaixonante e crível – os aparentemente antagônicos Emma Morley e Dexter Mayhew – Nicholls deixa a tensão amorosa em segundo plano ao apresentar vinte anos na vida da dupla: o foco alterna entre as mudanças com que lidam no cotidiano, seus sonhos, ambições e os desapontamentos que encontram com a imprevisibilidade implacável da vida e algumas escolhas incertas.
“Um Dia” é um livro cheio de dualidades: soa ao mesmo tempo doce e amargo, difícil e acessível, desolador e esperançoso, oferece diversas chances de identificação com os personagens centrais e crescendo em cada um de uma forma que foge definir. Só a leitura do mesmo pode explicar.
Comovente sem ser piegas, “Um Dia” vem colhendo elogios justificáveis de público e crítica, ganhou uma adaptação cinematográfica esse ano e merece o sucesso que vem fazendo.
Uma grata surpresa.

Todos os textos por Renato, com exceção do comentário sobre As Crônicas de Gelo e Fogo: A Tormenta de Espadas, que foi feito por Thais.
Fonte: miolão.com

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