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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Como uma pedra rolando, Bob Dylan chega aos 70 anos com muita criatividade

Nascido com o nome de batismo de Robert Allen Zimmerman, em 24 de maio de 1941, em Duluth, Minnesota, Bob Dylan mostrou desde o início da sua carreira um grande diferencial para compor de forma sofisticada e conseguir fazer algo popular; de sua maneira, pegou o folk, que aprendeu a gostar em sua época de universitário e uniu ao rock, que adorava na adolescência; tudo de uma forma única e original. Pioneiro deste novo universo folk-rock, o músico provou que uma voz potente não é requisito fundamental para ser vocalista, pelo contrário, fez de sua voz característica um novo instrumento.


Dylan escreveu uma série de sucessos, e poucos percebem, mas é um dos músicos mais regravados do mundo, por artistas de todos os estilos e grau de importância, de bandas indies do underground a consagradas mega estrelas e todos os gêneros musicais, como por exemplo: Byrds, Jimi Hendrix, Rod Stewart, Bob Marley, Eric Clapton, Guns n' Roses e Rolling Stones. Dylan cresceu numa pequena cidade do Minnesota e foi no liceu que começou a tocar guitarra e harmônica, numa banda chamada Golden Chords. Em 1959, ingressou na Universidade de Minnesota, dedicando, no entanto, a maior parte do tempo a shows de violão e voz, que realizava em cafés.

 Depois de ter deixado o estudo para segundo plano durante um ano, o músico abdicou de vez do curso universitário e partiu para Nova Iorque, onde adotou então o pseudônimo de Bob Dylan, inspirado no poeta Dylan Thomas. O primeiro contrato discográfico foi assinado em 1961, com a editora Columbia e o disco de estreia saiu no ano seguinte. Um trabalho homônimo, que incluiu, na sua maioria, versões de canções folk tradicionais.

 O álbum seguinte, "Freewheelin' Bob Dylan" (1963), fez de Bob Dylan um cantor classificado do tipo protesto, por acharem sua posição política, pelas críticas que tecia à sociedade, através das suas letras, como a emblemática "Blowin' In The Wind". Sua reputação de cantor de protesto aumentou com o lançamento de "The Times They Are A-Changin'", em 1964, no entanto, Dylan que, paradoxalmente não falava de política, sempre deixava todos perplexos e, ainda em 1964, lançou "Another Side of Bob Dylan", um disco que mostrava seu lado mais introspectivo. "Bring It All Back Home", o primeiro disco a vender muito, chegou às lojas em 1965 e foi sucedido por uma longa tour que o levou à Grã Bretanha; esta aventura pode ser conferida no premiado documentário:


"Don't Look Back". O alto nível de vendas dos seus discos e seu repertório de alto nível poético levaram uma série de bandas a recriar as suas canções, ajudando a mitificar cada vez mais sua figura; conta-se que mais de cem artistas regravaram Dylan só entre 1964 e 1966. No auge de sua notoriedade, Dylan enfureceu seus fãs puristas e amantes do seu folk rústico ao incorporar uma banda super elétrica, com guitarras e toda instrumentação do rock tradicional; foi tido como um traidor do movimento, mas por outro lado, ganhava novos adeptos que viam nas atitudes de Dylan um inconformismo revolucionário.
O genial "Highway 61 Revisited", editado em 1965, mostra esta eletrificação e contém a canção, considerada por muito críticos (e concordo com isso), a canção mais importante da história da música pop: “Like a Rolling Stone”; o disco virou um sucesso de vendas.

 "Blonde on Blonde" de 1966, se tornou outro clássico, considerado outro dos discos mais importantes da década; conseguir sucesso com qualidade artística, o sonho de unir críticos e públicos era fácil para Dylan. Em 1967, lançou "John Wesley Harding", que marcou o regresso de Dylan à atividade e dois anos depois, editou o belo "Nashville Skyline", que contou com a participação de Johnny Cash e continha a belíssima “Lay Lady Lay”; nestes dois discos, Dylan foi fundo nas suas influências de country e mostrou mais uma vertente de sua música.

 Os discos seguintes, "Self Portrait" e "New Morning", ambos de 1970, não conseguiram sucesso comercial e começa, então, um período em que Dylan afastou-se da mídia, se tornando um tanto recluso. O ano seguinte foi marcado pela edição do livro "Tarântula" e pela aparição no "Concert for Bangladesh", festival beneficente organizado por George Harrison.

 Como um grande amante do cinema ,em 1973, estreia como ator no filme "Pat Garret and Billy the Kid", para o qual gravou a trilha sonora, que continha seu clássico "Knockin' On Heaven's Door". Depois de alguns discos bem intimistas como “Planet Waves”, “Blood on the Tracks”, que se tornou um grande sucesso novamente de público e crítica, e “The Basement Tapes”, Dylan resolveu fazer uma mega tour com uma super banda de convidados como: Joan Baez, Joni Mitchell, Ramblin' Jack Elliott, Arlo Guthrie, Mick Ronson, Roger McGuinn e o poeta Allen Ginsberg; o projeto chamou-se “Rolling Thunder Revue” e no meio da tour, saiu o disco "Desire", de 1976; o disco chegou ao topo da parada com a canção “Hurricane”.
Dylan editou novo álbum de estúdio em 1978, "Street Legal" e após o lançamento deste disco, o músico judeu anunciou a sua conversão ao Cristianismo, cuja influência deste ato refletiu no disco "Slow Train Coming", de 1979, que vendeu mais de um milhão de cópias. "Saved" (1980) e "Shot Of Love" (1981) tinham da mesma forma os temas religiosos como base e nos novos concertos, Dylan passou a tocar apenas os seus novos trabalhos, afastando-se, desse modo, muito fãs antigos, que achavam que Dylan teria pirado e estaria em crise criativa. Passada mais uma fase de Dylan, em 1982, o músico fez as pazes com o judaísmo através do movimento “Lubavitch Chabad”e o álbum seguinte, "Infidels" (1983), produzido por Mark Knopfler, voltou a receber comentários positivos tanto da crítica, como dos fãs.

 Em 1988, teve início sua união com os Travelling Wilburys, uma super-banda formada por Tom Petty, George Harrison, Roy Orbison e Jeff Lyne, originando dois álbuns: "Oh Mercy" e "Under the Red Sky". Nos anos 90, Dylan continuou a realizar seus shows regularmente, dedicando-se também à pintura. Promoveu um regresso ao folk com os álbuns "Good As I Been To You", de 1992, e "World Gone Wrong", de 1993, disco que fez Dylan conquistar um Grammy.

Em 1997, outra surpresa: "Time Out Of Mind", produzido por Daniel Lanois, foi aclamado pela crítica, além de receber três nomeações para o Grammy, incluindo a de "Álbum do Ano". Neste novo século, em 2001, quando o mestre Bob não precisava provar mais nada, vem mais um álbum tido como original e criativo: "Love and Theft"; pouco depois, Bob Dylan anunciou a preparação de mais um filme como autor e ator: "Masked and Anonymous", com a participação de nomes como Jeff Bridges, Penelope Cruz, Val Kilmer, Jessica Lange e John Goodman; a trilha sonora também era composta de músicas de Dylan. Em 2005, foi editada a primeira parte da autobiografia de Bob Dylan, "Chronicles Vol. I" e o documentário de quatro horas, realizado por Martin Scorsese, "No Direction Home", é de fundamental importância para conhecer o papel de Dylan, uma vez que é impossível um texto sintetizar a relevância de Bob Dylan para a música mundial.

 O que parece impossível para um artista tão veterano acontece: os dois anos seguintes mantêm Bob Dylan em alta e assunto da mídia por sua criatividade. O disco "Modern Times” (2006) é considerado o álbum do ano por revistas fundamentais como a Uncut e Todd Haynes filma a original película biográfica "I'm Not There" sobre o músico, dividindo a “persona Dylan” em 7 personagens diferentes (representados por atores diversos); o filme representa as várias fases da vida de Dylan.
Em 2009, Bob Dylan lançou o álbum "Together Through Life”, outro sucesso crítico que faz a linha revisionista de blues, folk e rock & roll, e como charme propõe a inclusão do acordeão de David Hidalgo, dos Los Lobos, que dá um som distinto mais característico e original ao disco. Ainda sobrou fôlego para, no fim de 2009, revisitar clássicos natalinos no álbum "Christmas in the Heart". Ufa, haja inovação!
Só resta dizer “feliz aniversário, Mr. Dylan” e que nada mude no seu próximo ano, pois nada melhor que ensinar criatividade aos 70 anos.
Ouça agora, um especial com os mais diferentes estilos de artistas recriando as canções originais de Bob Dylan:
Parte 1 Paul Weller – I Shall Be Released + Johnny Marr – Don´t Think Twice, It´s All Right + Cat Power – Paths of Victory + The Waterboys – Girls From North Country + Thin White Rope – Outlaw Blues + Indigo Girls – Tangled Up In Blue + Mary Lou Lord You´re Gonna Make Me Lonesome When You Go + Siouxsie and the Banshees – This Wheels On Fire + Concrete Blonde – Simple Twist Of Fate + Jason & The Scorchers – Absolutely Sweet Marie
Parte 2 Rolling Stones – Like a Rolling Stone + Solomon Burke – Maggie´s Farm + Johnny Cash – Wanted Man + Faces – Wicked Messenger + Johnny Winter – Highway 61 Revisited + Ron Wood – Seven Days + Joan Baez – Love is Just a Four Letter Word +The Black Crowes – Rainy Day Woman + Joe Cocker – Catfish + Jimi Hendrix - All Along The Watchtower
Parte 3 Stevie Wonder - Blowin’ In The Wind + Lou Reed - Foot Of Pride + Eddie Veder - Master Of War + Tracy Chapman – The Times They Are A-Changin + June Carter & Johnny Cash – It Ain´t Me, Babe + Richie Havens – Just Like Woman + Neil Young – Just Like Tom Thum´s blue + Eric Clapton – Don´t Think Twice, It´s All right + George Harrison – Absolutely Sweet Marie + Roger McGuinn – Mr. Tambourine Man




Por Roberto Maia às 10h46 UOL

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