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sexta-feira, 4 de março de 2011

Os “Sgt. Pepper’s” fundamentais do pop

Por Antonio Farinaci,
“Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band” é um marco na história do pop. Lançado em 1967, pelos Beatles, ele trouxe inovações técnicas e estéticas que redefiniram a música popular. O uso de sons do cotidiano misturado com orquestras, distorções, gravações tocadas de trás para frente, o uso de instrumentos exóticos… Tudo isso, que hoje não deixa ninguém mais de boca aberta, apareceu pela primeira vez ali.


Bem, na verdade, não “pela primeira vez”, mas pela primeira vez para o grande público, já que os Beatles eram a maior banda da época. Na verdade, tanto o produtor George Martin como Paul McCartney já falaram em público sobre os discos que consideram como precursores fundamentais de “Sgt. Pepper’s”, ambos lançados um ano antes, em 1966, e que já vinham impregnados dessas ideias e sonoridades.
Um deles é “Pet Sounds”, dos Beach Boys.

 O outro é “Freak Out!”, de Frank Zappa (e os Mothers of Invention). O primeiro, mais pop e “fofo”; o segundo, mais para o lado do deboche e do experimentalismo radical. Vejam, por exemplo, como cada um fala de amor:
Beatles: “When are you free to take some tea with me?…” (“Lovely Rita”)
Beach Boys: “God only knows what I’d be without you…” (“God Only Knows”)
Frank Zappa: “I don’t even care if you shave your legs…” (“Wowie Zowie”)
Em 1968, Zappa lançou uma “resposta” a “Sgt. Pepper’s”. Com uma capa que parodiava o disco dos Beatles, “We’re Only in It for the Money” não só ridicularizava o movimento hippie e a contra-cultura da época, como chamava a banda inglesa de “rasa”.

A capa de “Sgt. Pepper’s”, aliás, é um assunto à parte. É provável que mesmo quem nunca ouviu o disco, já a tenha visto. Concebida pelo designer inglês Peter Blake, ela traz, além dos integrantes da banda, uma profusão de vultos históricos e personalidades admiradas pelo grupo, como Mae West, Carl Jung, Fred Astaire, Marilyn Monroe, Karl Marx, Marlon Brando, Oscar Wilde, Lewis Carrol, Marlene Dietrich e a dupla o Gordo e o Magro, entre outros.(Veja a lista completa)

A capa de “We’re Only in It for the Money” é considerada a primeira e melhor paródia da arte de “Sgt. Pepper’s”. Ela foi feita pelo fotógrafo americano Jerry Schatzberg e traz uma lista de personagens de fazer inveja ao casting original: Barbie e Ken, Theda Bara, Max Schreck (como Nosferatu), Beethoven, James Brown, um retrato de Ginevra de Benci (pintura de Leonardo Da Vinci), Einstein, Nancy Sinatra, Jimi Hendrix, um retrato do papa Paulo 3º (pintura de Ticiano), Gregory Peck, Elvis e a Estátua da Liberdade, entre outros. (Veja a lista completa)

E em 1968, no Brasil, saiu “Tropicália ou Panis et Circensis”, disco que reuniu o maestro Rogério Duprat, Nara Leão, Torquato Neto, Os Mutantes, Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso, Capinam e Tom Zé, para um dos discos mais incríveis da música brasileira e de qualquer nacionalidade. A imagem da capa, registrada pelo fotógrafo Oliver Perroy, tem como inspiração as fotos antigas de família. Mas é impossível não lembrar também de “Sgt. Pepper’s”, ainda mais sabendo que ali eram todos fãs dos Beatles.

E vejam só como funciona uma declaração de amor tropicalista:
“Leia na minha camisa: Baby, I love you…”


por Antonio Farinaci às 07:00 BLOGOSFERA UOL

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