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quinta-feira, 3 de março de 2011

Músicos jovens de jazz encontram um nicho em Istambul

  • Divulgação A cantora e pianista turca Selen Gulun
The New York Times
Susanne Fowler
De Istambul
A cena de jazz em Istambul, na Turquia, flui. Novos espaços oferecem para uma nova geração de músicos turcos uma chance de apresentar composições originais, mesmo enquanto artistas já estabelecidos se perguntam para onde foi o público. Tanto para a nova geração quanto para os artistas veteranos, empreendedores fiéis estão criando palcos e esperando que os fãs apareçam.
 
O saxofonista Yahya Dai estava liderando seu combo em uma tarde de domingo no Tamirane, uma antiga usina de purificação de água transformada em um café com decoração industrial no Campus Santral da Universidade de Bilgi. As tardes de jazz de domingo atraem uma clientela artística que come pizza, toma cerveja e coquetéis com nomes como Flor de Laranja.
 
"Você pode achar que a cena de jazz de Istambul está crescendo, por causa da existência de mais clubes, mas o público não está acompanhando o ritmo", disse Dai, que aprendeu sozinho a tocar saxofone quando tinha 17 anos. "Foi em 1981 quando ouvi uma canção no rádio e disse: 'que raios é isso?' Era Grover Washington Jr. tocando 'Winelight'. Nunca esquecerei".
 

Yahya Dai Quartet - "Halk Pazar?"

Dai sem dúvida está inspirando jovens turcos a adotarem seu instrumento. "Os jovens estão realmente ficando cada vez mais curiosos a respeito do jazz", ele disse, "mas há muitos músicos jovens agora e não muitos lugares para todos eles tocarem. Eu vim de Ancara anos atrás e você podia tocar no mesmo clube três vezes por semana. Agora é uma vez por mês".
 
Geração mais velha está pessimista
Na noite de uma sexta-feira, a pianista Selen Gulun apresentava faixas de seu recente CD para uma plateia sentada em grandes almofadões na Borusan Music House, em Istiklal Caddesi. Trajando um minivestido framboesa e sapatos pretos de salto alto, Gulun liderou seu trio, desafiando estereótipos no mundo musical dominado pelos homens, injetando em sua obra a serenidade de sua formação clássica e a energia de sua criação em Istambul.
 
Gulun vê uma melhora na situação do jazz na Turquia. "Eu fui para os Estados Unidos para estudar jazz de 1996 a 1998", ela disse durante um ensaio para seu show na Borusan. "Fui para lá para que, de fato, pudesse tocar com pessoas, porque a cena de jazz aqui não estava acontecendo, não havia nada o que fazer aqui".
 
Após estudar no Berklee College of Music em Boston, ela voltou para Istambul para ensinar composição e piano na Universidade de Bilgi. Muitos de seus ex-alunos agora se juntam a ela no palco. "Eu toco minhas músicas originais e fazia 12 apresentações por ano em 1998", ela disse. "No ano passado, apenas no mês de outubro, eu fiz 12 apresentações. Está melhor para mim".
 
Segundo Gulun, ela não é o único exemplo. "Meu baterista chegou ao nosso ensaio vindo de uma sessão de gravação, depois saiu para fazer mais dois shows em uma só noite. Muitos álbuns novos estão saindo também. Eu tenho 39 anos e as pessoas que eram estudantes há dez anos se tornaram produtivas e estão compondo sua própria música. Em apenas um ano, eu comprei dez álbuns dessas pessoas".
 
A pianista reconhece que nem todos os seus colegas estão animados. "Se você falar com os músicos mais velhos, da geração anterior à minha, eles estão mais pessimistas. Eles sofreram com este afluxo, não querem tocar como estamos tocando: nós não pedimos muito dinheiro e estamos dispostos a tocar nossa própria música. A geração mais velha sempre tinha que brigar com os donos de clubes para poder tocar suas composições, então acho que estão incomodados e não querem se envolver na nova cena".
 

Selen Gülün - "Cennet"

Festival de Jazz de Istambul
A Fundação para a Cultura e Artes de Istambul, conhecida por sua sigla em turco, IKSV, mantém seu espaço para apresentações, o Salon. Os organizadores exibem uma combinação eclética de atrações, desde arte performática até folk urbano com uma boa dose de artistas de jazz americanos e britânicos. 
 
Mas a maior contribuição do IKSV ao jazz vem na forma de seu Festival de Jazz de Istambul anual, que neste ano será de 1º a 18 de julho. Pelin Opcin, diretora do festival, está planejando um grande tributo a Miles Davis para marcar o 20º aniversário da morte do trompetista.
 
No início dos anos 80 na Turquia, antes do início do festival, concertos individuais de jazz atraíam plateias entusiásticas, escreveu Opcin em um e-mail. "Naquela época, a cena não estava tão saturada com tantos eventos e o público ansiava por shows", ela acrescentou. "E é realmente recompensador ver o mesmo entusiasmo e demanda por parte do público desde então".
 
"Nós achamos que o jazz é o ponto mais alto de criatividade artística quando pensamos nas formas de música urbana", escreveu Opcin. "Ele abre a mente e também é muito elástico para ser integrado a outros elementos musicais; é genuíno, dinâmico, pode ser maduro e bem jovem, pode ser tocado em um clube intimista minúsculo, mas em outros ambientes, pode também ser abraçado pelas massas".
 
No final, o jazz turco é difícil de definir, variando de música contendo riffs anatolianos e arabescos, com ritmos de percussão de virtuosos de renome internacional como Burhan Ocal e Okay Temiz, até elementos mais clássicos encontrados até mesmo em faixas dançantes como "Black Sea", do pianista Kerem Gorsev.
 
Mas pode contar com um crescente número de artistas em ascensão como o baixista de funk e jazz Alp Ersonmez, o baterista Ferit Odman, que acabou de gravar um novo CD de bebop, e Meltem Unel, uma vocalista cujo estilo faz os ouvintes lembrarem de Nina Simone.
 
Para Gulun, que canta suas letras de jazz em sua própria língua, trata-se menos de ser turca e mais de fazer algo que não foi feito antes. "Eu estou principalmente ligada no que é novo, realmente novo, na vanguarda", ela diz. "Não se trata de ser turca, mas de crescer em Istambul, porque é um lugar muito caótico, repleto de coisas demais que podem chamar sua atenção". Parecido com o jazz.
Tradutor:
George El Khouri Andolfato
Fonte:UOL

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