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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Josh Gobran mostra lado compositor em disco novo, que tem canção em português

O cantor e compositor norte-americano Josh Groban em foto de divulgação (2010)
The New York Times
GARY GRAFF
The New York Times Sindycate

Sua música é séria e sofisticada, repleta de formação clássica e grandes compositores, assim como na ópera, música orquestral e grande arte. Esse tom elevado lhe rendeu vendas de mais de 24 milhões de álbuns em todo o mundo desde 2001, quando lançou seu disco de estréia.



Mas Josh Groban também tem senso de humor, algo que é importante para ele. O cantor nascido em Los Angeles exibiu um pouco dele durante suas pequenas participações no seriado “Allie McBeal” (2001) e, mais recentemente, nos esquetes ruidosamente vulgares de Jimmy Kimmel e Sarah Silverman sobre Matt Damon e Ben Affleck, em 2007.

Kimmel o trouxe de volta novamente para musicar os tweets do rapper Kanye West em um esquete, em estilo infomercial, que se tornou um fenômeno viral no início deste ano.
“Eu tenho um retrospecto muito divertido e interessante com Kimmel”, diz Groban, cujo quinto álbum de estúdio, “Illuminations”, estreou no 4º lugar na parada Billboard 200 em novembro e rapidamente atingiu a marca de disco de platina. “Por alguma razão, quando ninguém mais estava me dando espaço, ele encontrou meu lado engraçado, o que realmente surpreendeu as pessoas. É bom ter um escoadouro para isso.”

Josh Grobans faz canção com tweets de Kanye West (em inglês)

Quando foi marcada uma participação de Groban no início de janeiro em “Jimmy Kimmel Live!” para promover “Illuminations”, os roteiristas do programa propuseram várias idéias para esquetes –“o mais vago sendo algo musical com os tweets de Kanye”, lembra o cantor. “Eu o acompanho no Twitter e eu sei como eles são loucos, então nós dissemos: ‘Isto poderia ficar muito engraçado’. Foi muito divertido de fazer e me fez rir.”
Aparentemente, também fez o próprio West rir.
“Ele tuitou o link em sua página, o que me fez pensar que ele entendeu a piada”, diz Groban, que fará sua estréia como ator de cinema na comédia romântica “O Amor é Cego, Surdo e Louco”. “Então eu não tenho que ficar olhando por cima do ombro à procura de rimas duras voltadas contra mim.”~


Trabalho de compositor em "Illuminations"
O exercício ocasional de humor pode ajudar Groban a mudar, ou ao menos ajustar a sua imagem, mas “Illuminations” representa uma mudança muito mais significativa na forma como ele trabalha e no tipo de música que faz.
Após 11 anos trabalhando com o mentor David Foster, o produtor que o lançou ao colocá-lo para substituir o enfermo Andrea Bocelli na entrega do prêmio Grammy em 1999, Groban se associou a Rick Rubin, o vencedor do Grammy cujo currículo inclui desde os primeiros heróis do hip-hop, como Run-DMC e Beastie Boys, até os roqueiros Tom Petty, Kid Rock e Slayer, as favoritas do country Dixie Chicks e ícones como Johnny Cash e Neil Diamond. Juntos, ele e Groban elaboraram uma coleção de 13 canções que, apesar de ainda melódicas, exibem uma exuberância que é nitidamente mais despojada que seus trabalhos anteriores.

 Groban escreveu ou coescreveu 11 das faixas, por isso também passa a sensação de ser muito mais pessoal do que qualquer um de seus outros álbuns, como a obra de um compositor, e não apenas de um cantor.
“Até este álbum, eu dependia principalmente de material que estava na prateleira”, diz Groban, cujo último álbum, “Noel” (2007), de tema natalino, ficou no topo das paradas e atingiu a marca de cinco discos de platina.

“Quando as pessoas começam a lhe enviar canções, ou você tira a sorte grande, com uma canção como ‘You Raise Me Up’ (2003), ou você recebe um monte de músicas que faz com que você diga para si mesmo: ‘É isto realmente o que as pessoas pensam de mim?’ como é frequentemente o caso.”

“Assim, uma das coisas que Rick e eu queríamos resolver era adicionar um toque pessoal a tudo o que eu faço, não apenas cantar a mesma canção e não me apoiar em canções que talvez não signifiquem tanto para mim pessoalmente. Então ele me mandou compor. Nós tínhamos um bom número de covers que poderíamos ter gravado, mas ele ficou realmente satisfeito com as composições e eu estava animado com o que eu estava compondo, então nós partimos daí.”

Groban não tinha planos premeditados de mudar de produtor após “Noel”. Ele foi apresentado a Rubin pelo executivo da indústria fonográfica e cinematográfica Guy Oseary, um amigo comum. Groban acabou descobrindo que morava perto de Rubin em Los Angeles, e os dois se encontraram “para uma conversa agradável e uma oportunidade para me sentar e aprender alguma coisa com um homem da música que eu respeito”.
Mas após duas horas, ficou claro para ambos que eles estavam interessados em mais do que apenas bater-papo.

Josh Grobans - "Hidden Away"

“Ele disse: ‘Olha, eu ficaria feliz em ser seu amigo e, se você tiver alguma coisa que queira mostrar para mim no futuro, eu ficaria feliz em ouvir, como um amigo’”, recorda Groban.

O cantor, que compôs seis músicas para seus álbuns anteriores e cita Annie Lennox, Paul Simon, James Taylor e Neil Young como suas principais influências, começou a apresentar material para Rubin que ele estava compondo para seu próximo álbum, até o ponto em que “as canções pareciam estar nas mãos dele (Rubin), sem que houvesse qualquer tipo de compromisso.

 Finalmente ele disse: ‘Olha, eu realmente não gosto de fazer nada pela metade. Isso é novo para mim, é novo para você. Vamos fazer isto’. E eu meio que disse: ‘OK, aqui vamos nós’”.


“Eu tinha várias opções diante de mim depois que (‘Noel’) foi tão bem sucedido, mas para mim esta parecia uma oportunidade ideal para não apenas fazer um álbum que eu sentia que se concentraria em todas as coisas certas, mas também para aprender algo e aprender um novo processo ao mesmo tempo.”
“Então, para mim, era algo que eu não podia recusar.”

Parte desse novo processo foi aprender a não se deixar apressar, mesmo com uma data de lançamento prevista no horizonte.
“Rick não tem pressa e ele deixa as coisas se desenvolverem, permitindo que a visão retrospectiva fique evidente antes que seja tarde demais. Isso leva tempo e aprender essa fórmula levou tempo. Demorou mais tempo do que eu queria, para ser honesto, mas no final eu estava empolgado com o resultado.”
Parceiras e canção em português
Rubin o empurrou não só a compor, mas compor em parceria com outros.
“Um dos muitos dons de Rick é que ele sabe como colocar pessoas em uma sala e agitar as coisas”, diz Groban, que trabalhou com Rufus Wainwright e sua mãe, Kate McGarrigle, na canção “Au Jardin des Sans-Pourquoi (The Garden Without ‘Whys’)”, com o produtor e compositor britânico Marius De Vries e o artista brasileiro Carlinhos Brown.

A apresentação mais fecunda, entretanto, foi ao vocalista do Semisonic, Dan Wilson, com quem Groban colaborou em meia dúzia de faixas de “Illuminations”.
“Após ter escutado algumas das letras e melodias que eu estava compondo, ele (Rubin) achou que as sensibilidades de Dan seriam muito compatíveis com as minhas.

 E ele estava certo, de forma pura e simples. Nós tentamos uma sessão em Los Angeles, e era apenas uma daquelas salas de cantor e compositor sem janelas, e a sensação era de que mais parecia lição de casa. Assim Dan disse: ‘Quer saber de uma coisa? Nós precisamos de espaço. Precisamos de uma casa. Precisamos de ar fresco. Venha para Minneapolis’. E toda vez que eu ia, nós voltávamos com três ou quatro novas idéias ou até mesmo canções prontas.”
“Era pura mágica. Quando você tem uma colaboração como essa, você continua até esgotar. E ainda não esgotamos.”
Entre as colaborações Groban-Wilson estava “Hidden Away”, o primeiro single do álbum.
“Eu estava no piano e ele estava na guitarra, e estávamos apenas conversando sobre a vida”, recorda Groban. “Aqueles acordes de abertura simplesmente começaram a sair, e começamos a repeti-los e então começamos a cantar junto com eles. Muitas vezes a melodia vem primeiro e você tem que encontrar palavras que signifiquem o mesmo que a melodia significa para você, e essa foi uma daquelas em que percebemos que a melodia era bem simples, e nós queríamos que a letra tivesse uma mensagem igualmente simples.”

“Você Existe em Mim”, que Groban compôs com Carlinhos Brown e Lester Mendes, é um esforço em uma direção diferente: é a primeira vez que ele canta em português.

Josh Groban canta "Você Existe em Mim"

“A língua meio que nos escolheu. Nós tínhamos concluído a melodia e começamos a adicionar esses tambores tribais nela e fazendo um vocal lá-lá, e então começamos a pensar: ‘Isto é espanhol? Isto é inglês?’ E Lester disse: ‘Sabe de uma coisa, esta canção poderia ser brasileira. Poderia ser em português’.


E ficou tão claro, assim que seguimos nessa direção, que era absolutamente para ser em português.”
“Também foi uma experiência muito divertida cantar nessa língua”, acrescenta o cantor. “As vogais são muito divertidas de cantar e a poesia da letra é simplesmente fantástica.”

A habilidade não só de adaptar a música dos outros ao seu estilo, mas também de mudar seu estilo, mesmo após seu grande sucesso, foi o maior triunfo de “Illuminations”, ele diz.

“Eu sempre fui inspirado por cantores que eu posso identificar em 10 segundos”, diz Groban, que planeja passar grande parte de 2011 e 2012 na estrada promovendo o álbum. “Eu aspiro ter uma carreira na qual eu seja assim, independente do gênero ao qual as pessoas me associem.”

“Então, sim, eu me sinto realmente abençoado por poder estar neste jogo e jogá-lo segundo minhas próprias regras”, ele conclui. “Eu sei que isso é algo muito raro e é algo pelo qual sou muito grato.”

(Gary Graff é um jornalista free-lance baseado em Beverly Hills, Michigan.)
Fonte:UOL

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