Musa dos anos 60, Marianne Faithfull, continua a esbanjar estilo em seu novo disco

Lembrada, às vezes mais por sua relação nos anos 60 com Mick Jagger, do que por sua versatilidade de atriz e cantora, Marianne Faithfull está hoje devidamente recuperada no rol das figuras que unem cultura, talento e qualidade e se tornam os eternos “cults” do mundo pop.


Convencida em 1964 por Andrew Loog Oldham, empresário dos Stones, estreou como cantora, com um enorme sucesso ao gravar “As Tears Go By", faixa composta por Mick Jagger e Keith Richards, com uma voz doce e uma figura angelical; a musa perfeita dos anos 60.

 Vinda de uma família de classe alta, causava furor nas rodas de cultura e boemia da Inglaterra. Fez uma série de singles de sucesso como "Summer Night”, "This Little Bird"e "Come and Stay With Me" (da talentosa e pouco reverenciada cantora e compositora Jackie De Shannon).

A relação com os Stones foi importante e sintomática; depois do angelical single de estreia, ela anunciaria a própria guinada na carreira com a gravação, em 1969, de "Sister Morphine", outra composição em parceria com os Stones, que eles só incluiriam no disco "Sticky Fingers", de 1971.

Na década de 70, já longe de seu romance com Mick Jagger, a história de Marianne Faithfull, uma vida de "sexo, drogas e rock'n'roll", torna-se mais que um jargão, que culmina com uma tentativa de suicídio, revelando seus excessos, entre os quais, o consumo de heroína ganhou papel de destaque.

Poucas vezes na história da música, um artista conseguiu se reinventar como Marianne; já esquecida, não tão bela e longe do status de "namorada de Mick Jagger", volta a gravar em 1979 e lança um disco belíssimo "Broken English”, com um novo e totalmente diferente registro de voz que casa perfeitamente com o hiper-realismo de seus temas, recheados de dor, sexo e desespero.

Nas décadas de 80 e 90, lança regularmente novos e bons discos, sempre inovadores e apreciados pela crítica e por seus fiéis seguidores. Em 1994, sua vida, que mais parece um filme, foi revelada em "As Tears Go By", uma autobiografia pungente.

Neste ano, está lançando seu 23º disco solo, Horses and High Heels, gravado, como sempre ela faz questão, em uma atmosfera ideal; desta vez, o “French Quarter”, em New Orleans, durante setembro e outubro do ano passado. O disco traz oito versões e quarto composições de Marianne e apoio do ultra competente guitarrista e produtor John Porter, que já trabalhou com nomes como Roxy Music, Eric Clapton e The Smiths. Produzido por Hal Willner, o disco ainda traz como convidados Lou Reed, Dr.John e Wayne Kramer. Confira!

Marianne Faithfull - Horses and High Heels
Ouça: 01 – The Stations 02 – Why Did We Have To Part 03 – That’s How Every Empire Falls 04 – No Reasons 05 – Prussian Love 06 – Love Song 07 – Gee Baby 08 – Goin’ Back 09 – Past Present And Future 10 – Horses And High Heels 11 – Back In Baby’s Arms 12 – Eternity 13 – The Old House

Aqui, sucessos de primeira fase de carreira de Marianne Faithfull, nos anos 60!
Ouça: 1. “As Tears Go By" 2. "This Little Bird" 3. "Summer Night” 4. "Come and Stay With Me" 5. "Sister Morphine"