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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"Eu complemento, eu não compito", diz Santana sobre seu novo disco de regravações com convidados

Carlos Santana durante apresentação no Grammy Awards no Beverly Hilton Hotel, em Beverly Hills (30/01/2010).

Seu mais recente álbum pegou até mesmo ele de surpresa, reconhece Carlos Santana. "Nunca imaginei algo assim", diz o lendário guitarrista do rock. "Guitar Heaven: The Greatest Guitar Classics of All Time" encontrou o virtuoso veterano tocando 12 clássicos do rock, da autoria de AC/DC, Beatles, Cream, Rolling Stones e outros em colaboração com diversos cantores, até mesmo o rapper Nas e o violoncelista Yo-Yo Ma.


Ideia do executivo Clive Davis, da Sony Music, ele não difere do disco ganhador do Grammy de Santana, "Supernatural" (1999), e seus sucessores igualmente repletos de convidados, "Shaman" (2002) e "All That I Am" (2005). Mas mesmo Santana diz que a perspectiva de caminhar por esse terreno musical o deixou desconfortável. "Clive me atraiu para sua paixão suprema", diz Santana, de 63 anos, que nasceu no México e cresceu em San Francisco. "Eu não sabia se queria fazer isso, era um tanto desafiador, tinha um pouco de medo".

Davis trabalhou com Santana no início de sua carreira e sabia como acalmar seus temores. "Ele disse: 'veja, Carlos, 'Black Magic Woman' (1970) e Peter Green. 'Evil Ways' (1969) e Willie Bobo. 'Oye Como Va' (1970) e Tito Puente. Você tem feito isso a vida toda'", lembra Santana. "Então comecei a perceber que, de novo, alguém com uma paixão tão intensa não poderia estar errado. Ele me convenceu a encarar sem medo, confiei nele e este milagre incrível surgiu".

Mas mesmo milagres exigem trabalho árduo. Santana e Davis escolheram cada um metade das faixas de "Guitar Heaven", trabalhando a partir de uma relação que Davis fez utilizando as listas de maiores guitarristas e maiores canções de rock da revista "Rolling Stone". Ele ri, lembrando que o mesmo aconteceu com "Smooth" (1999), que se transformou em um grande sucesso e ganhou três prêmios Grammy. "Clive me dizia: 'você não confiou em mim em 'Smooth' e veja o que aconteceu'. Ele sempre esfrega as coisas na minha cara quando está certo", diz Santana.

Músicas e colaborações
O guitarrista e Davis reuniram uma lista de vocalistas para dar brilho a "Guitar Heaven". Dois eram contemporâneos de Santana: Joe Cocker canta "Little Wing" de Jimi Hendrix e Ray Manzarek, dos Doors, toca teclado em "Riders on the Storm", de autoria de sua banda. Mas grande parte do álbum conta com figuras mais jovens do rock contemporâneo: Chester Bennington do Linkin Park canta "Riders on the Storm", Chris Cornell do Soundgarden canta "Whole Lotta Love" do Led Zeppelin, Chris Daughtry, finalista do programa "American Idol", canta "Photograph" do Def Leppard, e Scott Weiland, do Stone Temple Pilots, interpreta "Can't You Hear Me Knocking" dos Rolling Stones.

Rob Thomas, do Matchbox Twenty, que cantou e foi co-autor de "Smooth", retorna com "Sunshine of Your Love" do Cream. "Ser convidado [por Santana] para cantar em seu disco é como ser convidado pela Música para aparecer", diz Gavin Rossdale, do Bush, que canta "Bang a Gong" do T.Rex, em uma outra entrevista. "Quando cheguei ao estúdio, Carlos ainda não tinha tocado nela, porque ele é o rei. Nós todos fazemos nossa parte e então ele faz a dele, mas nunca há dúvida de que será incrível", ressalta o músico.

Pat Monahan, do Train, ficou empolgado por ter sido escolhido para cantar "Dance the Night Away" do Van Halen. "Eu sou um enorme fã de David Lee Roth e também do Santana", diz Monahan em uma entrevista separada, "por isso fiquei muito contente por ter sido convidado a participar, especialmente nessa canção. Eu podia escolher, mas foi essa que eu quis fazer. Carlos é muito cavalheiro e um espírito incrível. Ele enviou duas dúzias de rosas brancas para minha casa e disse: 'obrigado por compartilhar seu dom comigo'. Que cara incrível".

O espírito de compartilhar foi a chave para todas as performances no álbum, diz Santana. "Eu nunca penso em ser Carlos Santana. O que eu trago para isto, o que coloco na mesa, é meu coração. Eu complemento. Eu não compito, não comparo. Isto não é uma corrida de carros. Eu conheço todos esses músicos, conheço o Eric [Clapton], o Jeff Beck, o Jimmy Page. E eles me conhecem, sabem que farei meu melhor para torná-las completamente novas, apesar de familiares. Tenho a suprema certeza e confiança de que eles dirão: 'eu adorei o que você fez com a minha canção'".

Algumas das músicas têm um apelo pessoal para Santana. Ele se recorda da primeira vez em que ouviu "Riders on the Storm" em Londres, enquanto fazia compras em uma loja de moda. "Bang a Gong" surgiu enquanto ele passava um tempo na comunidade espiritual de Sri Chimnoy, em Queens, Nova York. "Sou vegetariano rígido e, quando gravei essa canção, fui transportado de volta para lá. Não me recordo de onde estavam meus dedos e o que fiz, a consciência mecânica disso. Nem sei quais eram as notas e onde estavam no braço da minha guitarra. Eu só confiei e isso é o que é realmente bonito nisto".

As favoritas de Santana
Santana reconhece ter suas faixas favoritas entre as 12 de "Guitar Heaven", com "While My Guitar Gently Weeps" de George Harrison, contando com Ma no violoncelo e cantada por India Arie, no topo de sua lista. "É como se fosse novamente uma obra-prima, de um modo diferente. É algo que abrange tudo. Você une sinfonia, une a África com India Arie, une os Beatles e Santana... bam! Que conceito".

Após concluir a canção, ele lembra que enviou para a viúva de George Harrison, Olivia. "Recebi como resposta um e-mail dizendo: 'Carlos, escutei a canção e comecei a chorar e saltar de alegria ao mesmo tempo. Quero que você saiba que George realmente amava você, porque ele entendia sua paixão pela compaixão. Como ele não poderia amar você?' E eu pensei: 'Nossa!' Era como se o próprio George Harrison, por meio de sua bela esposa, validasse minha existência e o que fiz com a canção".

Outra favorita de Santana, e uma mistura intrigante de talentos, é "Back in Black" do AC/DC, com versos livres do rapper Nas. "Ele arrasou. Nós a levamos para um nível totalmente novo. É muito vibrante. Provavelmente é a faixa mais poderosa do álbum. 'Back in Black' é como o Hércules de todas as canções do álbum. Ela é suja e malvada, no bom sentido. Quando você a escuta, você pensa: 'nossa, eles soam como se tivessem 17 anos, com toda aquela testosterona rolando'".

Com o lançamento de "Guitar Heaven", Santana já tem outros projetos em vista. O principal entre eles é "Shape Shifter", um álbum "puramente instrumental com o Santana, mim e minha banda". Ele também tem conversado com Narada Michael Walden, outro morador de San Francisco, sobre um projeto sinfônico, possivelmente baseado na música de Alice Coltrane e em vários estilos de música internacionais.

Enquanto isso, os fãs podem vê-lo em "Supernatural Santana: A Trip Through the Hits", sua residência periódica no Hard Rock Casino and Hotel, em Las Vegas. "Tem sido uma experiência incrível", diz Santana. "Às vezes minha voz diz: 'faça as coisas que você disse que nunca faria', e tenho esta oportunidade de levar a música para um nível totalmente novo. Vou do meu quarto no hotel para o restaurante e então aparecem as pessoas que querem tirar uma foto, vindas da Austrália, Paris, Kansas ou Flórida. Eu penso: 'meu Deus, é como se eu fosse um mini-Michael Jackson! Que raios está acontecendo?'".

Santana diz que isso lhe permite ver o Carlos de um ponto de vista aéreo diferente. "Porque todo dia, de uma forma tangível, eu vejo pessoas que gastam dinheiro em uma passagem aérea, em um hotel, em um ingresso, em um restaurante. É toda uma forma de validar o que estou fazendo. Isso me permite realmente estar mais presente agora, não no futuro, não no passado, mas agora, em todo lugar em que estou".

*Gary Graff é um jornalista free-lance baseado em Beverly Hills, Michigan

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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