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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Trilhas de novela empolgam mais que bossa nova em show de Diana Krall

Algo tem de estar errado quando mais de mil pessoas ouvem uma balada romântica e quase ninguém balança a cabeça para os lados nem acompanha a canção mexendo os lábios. Foi o que aconteceu na noite desta terça-feira (14) na apresentação de Diana Krall, no HSBC Brasil, em São Paulo. Duas horas de bons músicos e músicas em que alguma coisa não deu certo, ao custo de até R$ 400 por pessoa.
Quem buscava a cantora de músicas de novela, como Just The Way You Are e The Look of Love, encarou uma jazzista empenhada em mostrar ao piano variações dos temas das canções que evoluíram para longe de qualquer identificação com a melodia. Os fãs de jazz assistiram a uma atuação correta, quadrada, sem improvisos ou brilho, acompanhada de um trio (violão, bateria e contrabaixo), cujos melhores momentos foram solos.

A voz sussurrante da cantora, que poderia dar um ar intimista ao show, acabou se diluindo no espaço da casa de eventos. Com os músicos sentados, Diana Krall ao piano, e a plateia distribuída em mesas, a tendência ao esfriamento se acentuou ao longo das duas horas de apresentação. Ninguém foi lá para dançar, mas o clima de concerto era menos respeitoso que desanimado.

O desânimo, é claro, não pode ser culpa do salão. Os sucessos estavam lá, a timidez charmosa também, mas o repertório da cantora parece ter se transformado em uma mistura sem liga que poderia ser a lista de canções de qualquer bar de jazz.

Cantando no Brasil, ela ainda enfrentou um desafio que já foi de estrelas bem maiores, como Frank Sinatra e Nat King Cole. O que fazer com as canções brasileiras: mudar para inglês as letras que fazem parte da memória afetiva dos brasileiros ou cantar em português mesmo, se arriscando a cair no ridículo?

Diana Krall apostou mais nas versões das canções, com o efeito de que essas foram das menos acompanhadas pelo público, que pensava em “Você viu só que amor, nunca vi coisa assim”, enquanto ela cantava Someone to Hold me Tight, that Would Be Very Nice.

Acabou sendo a melhor opção, porque na única que cantou em português, Seu Olhar, provocou mais risos que aplausos, enrolando os erres e não sabendo o que fazer com o LH repetido tantas vezes na letra de Tom Jobim. Risos de simpatia - mas risos, não admiração.

E mesmo com o pedido de licença feito por ela para cantar bossa nova para brasileiros, o pecado original da necessidade de aprovação estrangeira ao gênero, com as adaptações necessárias, deixou sua marca. Implícita, a ideia de que o jazz permite uma forma de sofisticação da bossa nova, com a redução de elementos de samba e reforço nos arranjos.

Trilhas de novelas

Não vieram daí, mas de outro símbolo da cultura nacional, os momentos de maior sintonia com o público. Foi durante as canções que fizeram parte de trilhas de novelas brasileiras (ao menos dez na última década) que algumas cabeças balançaram.

O único assovio e o solitário grito de “uhu” da noite, no entanto, vieram na menos conhecida, e bem mais animada, Jockey Full of Bourbon, do americano Tom Waits. Sinal de que a plateia estava precisando despertar, ou de que o repertório precisa mesmo de um novo equilíbrio após mais de duas décadas dedicadas mais a sucessos populares do passado.

Em algum momento na década de 90, Diana Krall pareceu ser uma das esperanças do jazz, acabou tendo uma carreira mais de relançadora de clássicos. No caso de seu disco mais recente, Quiet Nights, dedicado à bossa nova, isso chega ao limite, porque é a regravação de uma versão gravada em 1962 da música Corcovado. Em 1963, Miles Davis e Gil Evans lançaram um disco com o mesmo nome.

Em certo sentido, a trajetória da cantora é muito parecida com a segunda fase da carreira do marido, Elvis Costello, que passou do punk para gravações de sucessos como She e canções de Burt Bacharach.

A simpatia, talento (e, no caso dela, a beleza) tem garantido ao casal meio bossa nova e rock’n roll algum sucesso e fãs, mas longe de realizar as expectativas que despertaram um dia. E longe de valer R$ 400 no meio da semana.

Após as apresentações de segunda (13) e terça-feira em São Paulo, Diana Krall se apresenta em Brasília no sábado (18) e no Rio de Janeiro na próxima segunda-feira (20).
Fonte:R7

1 comentários:

Anônimo disse...

Comentário de brasileiro é assim mesmo!!!
Fazer o que???