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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Herbie Hancock - The Imagine Project

Antes de vocês pensarem que eu estou falando apenas de Jazz (esse não é um blog de música pop?), este disco conta simplesmente com as participações de Pink, Seal, John Legend, Dave Matthews e James Morrison. Acho que agora estamos familiarizados, não?



Pois bem, voltando a Herbie Hancock, ele é daqueles artistas do qual poucas pessoas são capazes de falar sobre sua obra como um todo. Pianista e arranjador, foi integrante da renovação do jazz com a infusão de estilos como o funk e o rock nos anos 60 e 70, junto com lendas como Miles Davis (se não conhece, vale a pena conhecer!). Nos anos 80, foi parar na MTV com um som pop
experimental a base de sintetizadores e um clipe que marcou época.
Nessa década, Herbie quebrou a hegemonia de muitos anos dos discos pop no Grammy ao vencer o prêmio de melhor álbum com River: the Joni Letters, disco dedicado à lenda do folk rock Joni Mitchell. E agora vem com um projeto que busca unificar os estilos de música do mundo, gravando em diversos países com artistas locais, mesclados com estrelas do pop. Uma ambição como essa só caras como Hancock podem suportar!




As estrelas do pop estão à vontade cantando clássicos como Imagine, que abre o disco em um dueto de Pink e Seal. Em um arranjo inusitado, o piano de Hancock abre a música com classe e vai ligeiramente se fundindo com a percussão afro do grupo Konono n°1. Pink e Seal mostram versatilidade nesta versão de John Lennon que demonstra com clareza o que a letra da música diz: imaginar um mundo sem fronteiras.

O Brasil tinha que estar nessa mistura, e vem muito bem representado por Céu, que traz o seu samba esquema novo em Tempo de Amor, talvez a música que mais leva a cara do convidado, com um piano discreto de Hancock. A música foi gravada no Brasil e conta com a banda de Céu fazendo a cama vagarosa para um suíngue de vanguarda.




Outra ótima surpresa vem com a irlandesa Lisa Hannigan, ex-parceira de Damien Rice, realizando uma versão leve e com um toque colonial de “The Times, They’re A’ Changin”, clássico denso de Bob Dylan (utilizado em sua versão original na majestosa abertura do filme Watchmen). Lisa é simples e isso é louvável e raro nos artistas atuais, deixando a letra de Dylan muito mais musical sem a necessidade de um arranjo grandioso.



No mais, o ídolo pop colombiano Juanes aparece em La Tierra com o tempero clássico da américa latina em uma gravação sincera, que foi justamente o que faltou em Dave Matthews com “Tomorrow Never Knows”, canção de influência hindu dos Beatles aqui executada com excessiva produção, em constraste com o clima de jam session do álbum. A aparição experimental de Los Lobos com o incrível grupo Tinariwen (formado por músicos Tuareg, da região desértica do Mali que produzem um estilo musical muito semelhante ao blues) em Tamantant Tilay vale a viagem de um disco que não vai muito longe do jazz, mas que é louvável por tentar abraçar o mundo através da nossa linguagem universal: o som.

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