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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Paul McCartney leva 40 mil ao delírio em Londres

O ex-beatle Paul McCartney ao vivo é sempre um show imperdível.Foto por Reuters
Em pleno Hyde Park, no coração de Londres, logo após a derrota da Inglaterra para a Alemanha pelas oitavas de final da Copa do Mundo, quando a cidade, ainda que ensolarada, curtia uma certa tristeza pela derrota, Paul McCartney entra no palco do Hard Rock Calling Festival disposto a fazer valer a máxima quem canta seus males espanta.

Não fosse este um dos (quase) últimos shows a céu aberto do ex-Beatle para um grande público (segundo números oficiais, aproximadamente 40 mil pessoas pagaram cerca de R$ 210 para assistir ao mestre Paul), a apresentação de domingo (27) não passaria de mais uma das centenas que ocorrem em dezenas de festivais de verão na Inglaterra.

Mas Paul estava disposto a provar porque, aos 68 anos, ainda tem fôlego para levar sua plateia ao delírio. Às 15h30 (horário de Brasília), subiu ao palco com pontualidade britânica e começou a esquentar uma plateia que parecia ainda um tanto amortecida.Pausa depois da primeira música.

- Antes de realmente começar, deixem-me olhar bem para vocês. Esta será uma noite muito especial.

E o que se seguiu confirmou a promessa. Como poucos, Paul é capaz de tirar da inércia até mesmo o mais preguiçoso dos fãs. Sejam eles ingleses ou não. Como não poderia deixar de ser em um show beatlemaníaco, a plateia era heterogênea e multi-idade.

Pais, mães, filhos, netos. ingleses, brasileiros, alemães, italianos? Mas a torcida era torcida, unânime, para o show ser memorável. E foi.
No set list, muito bem equilibrado entre clássicos para agradar aos saudosos beatlemaníacos e sucessos pessoais com novas canções, não faltaram Got to Get You Into My Life, The Long and Winding Road, Hey Jude, Something, A Day in the Life, Give Peace a Chance, Let It Be...

Nada seria digno de nova nota não fosse exatamente a direção cuidadosa do show e o talento de showman de Paul que, combinados, transformam um espetáculo, cujo áudio deixava muito a desejar, em uma história cantada da vida do músico.

Antes de My Love, a declaração.

- Esta eu escrevi para Linda (sua primeira mulher, que morreu de câncer em 1998). E dedico a todos os amantes desta plateia.

Netos e avós deram as mãos para cantar Hey Jude por dez minutos, sem parar, mesmo depois que o cantor deixou o palco pela segunda vez, obrigando-o a voltar por mais outra hora inteira.

Já eram 22h18 quando o cantor tentou terminar pela terceira vez e mandou Helter Skelter, mas a plateia não deixava.

- A gente tem que ir embora. A não ser que vocês queiram dormir no parque.

Paul ouviu um sonoro sim da plateia como resposta. Para, finalmente, tentar expulsar o público, que nesta hora já pulava, dançava e não arredava pé, Ob-la-di, Ob-la-da... Life goes on... A vida continuava e o show não acabava.

Para terminar, claro: Sargeant Peppers Lonely Heart Club Band. Paul levou muito amor para casa neste domingo e avisou: "Até a próxima."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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