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PLAYING FOR CHANGE

quarta-feira, 10 de março de 2010

Além de seguir a carreira de músico com diversas apresentações, é preciso ter uma vida comum para compor ou para aproveitar com a família e amigos.

Foto: Getty Images
Por Fernando Segredo,


Toda vez que eu vejo algum show, seja ao vivo ou DVD, sempre presto atenção nos músicos e todas as técnicas que eles utilizam. Presto mais atenção, claro, nos guitarristas e bateristas, instrumentos que eu "rabisco", vamos dizer assim. E fico admirado com alguns solos, acordes, jeitos de tocar. Reparo em cada detalhe, em cada postura, e fico admirado com o que vejo algumas vezes. Frases como "caramba, como ele fez isso?" ou "putz, eu nunca vou fazer isso" são constantes e preenchem a minha cabeça ao mesmo tempo que fico curtindo a música.

Quando estudava guitarra, meu professor perguntou para mim "Quanto tempo você estuda por dia?" e eu respondi "meia hora, no máximo". E ele, muito curto e pouco grosso respondeu: "Pra você ficar no mínimo, no mínimo bom, tem que estudar umas duas horas por dia, PELO MENOS". Aquilo me deixou transtornado, mas ao mesmo tempo admirado: Então, todos os bons músicos passaram horas estudando, se dedicando, perderam namoradas, noitadas com os amigos e muitas outras coisas só para se aperfeiçoarem tecnicamente no instrumento. Agora, será que apenas isso faz um bom músico?

Quem nunca escutou uma música que falasse do pôr-do-sol no Rio. Ou sobre a correria apaixonante de São Paulo? Ou então uma verdadeira declaração de amor acompanhada de ritmo e notas. É tão bom quando a gente se identifica com uma música. Ela insiste em não sair da cabeça e a gente insiste em escutá-la onde quer que a gente vá. É um namoro, que dura para sempre, por mais que a gente deixe de escutar um tempo e fale que "enjoou" da música. Mentira.

Mas para tudo isso ser criado e tocar os ouvidos e sentimentos das pessoas, o músico tem que além de estudar, e muito, tem que, antes de mais nada, viver. Sim, viver pura e simplesmente. Andar por aí, conhecer gente nova, lugares inusitados, abrir o coração para depois colocar no papel tudo aquilo que sentiu. O músico tem que saber olhar tudo de um modo diferente, um outro ângulo que só ele enxerga e apenas ele sabe traduzir. E a gente se pergunta: por que tem tanta música ruim no mundo hoje, tanta coisa sem sentir. Tanta coisa vazia. Talvez a música não seja vazia, e sim o próprio músico.

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